Turismo e novo ministério da Integração são as novas demandas do Centrão para Bolsonaro

Parlamentares afirmam que nomeação de Flávia Arruda para Secretaria de Governo é insuficiente e mantêm cobrança por mais ministérios.

7 de abril de 2021

O o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente Jair Bolsonaro após reunião no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução)

A troca em seis ministérios promovida pelo presidente Jair Bolsonaro atendeu parcialmente ao Centrão, mas está longe de colocar um ponto final nos pleitos do Congresso por pastas na Esplanada. Após as mudanças anunciadas pelo Planalto na semana passada, o Centrão apenas refez a sua lista de desejos.

O Ministério do Meio Ambiente, comandado por Ricardo Salles, saiu do caderno de prioridades, ao passo que ganha corpo um movimento para pleitear o do Turismo, pasta que já foi cobiçada no passado, hoje a cargo de Gilson Machado. Os ministérios da Educação, comandado por Milton Ribeiro, e de Minas e Energia, com Bento Gonçalves à frente, seguem no alvo, assim como desmembramentos nas pastas de Economia, de Paulo Guedes, e Infraestrutura, de Tarcísio de Freitas. Turismo e a criação de uma nova pasta da Integração Nacional fazem parte das novas demandas do grupo.

A nomeação de Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo contemplou o PL, maior partido do Centrão na Câmara, e ajudou a frear as críticas públicas do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), ao governo. Mas apesar de avalizada por Lira, a nomeação da deputada é vista como insuficiente. A avaliação é que com a fragilidade na imagem do governo, o desgaste na popularidade do presidente e com deputados às vésperas de um ano eleitoral, Bolsonaro precisará ceder mais se quiser conservar apoio político no Congresso e atrair partidos para a sua coligação em 2022.

Com isso, um núcleo do Centrão inicia um movimento para forçar uma substituição no Turismo. A pasta é considerada atraente por sua capilaridade e pela possibilidade de levar obras e agendas positivas para as bases dos parlamentares. A pasta é cobiçada pelo próprio PP de Lira.

Um parlamentar do Centrão com trânsito no Planalto afirma que o atual ministro, Gilson Machado, é uma indicação pessoal do presidente e que, diante do cenário atual, Bolsonaro terá que abrir mão de alguns cargos no primeiro escalão para manter apoio. Antes de Machado, a pasta estava sob comando de um deputado, Marcelo Álvaro Antônio, do PSL.

Na robusta pasta de Educação, que comanda um dos maiores orçamentos da Esplanada, a administração do ministro Milton Ribeiro é avaliada como “omissa” e “pouco produtiva” pela cúpula da Câmara. A deputada Luísa Canziani (PTB-PR) é apontada como o nome de Lira para substituir Ribeiro.

Apesar de o PTB integrar a base de Bolsonaro, o partido não tem representatividade quantitativa que lhe dê força para pleitear um ministério, o que torna o empenho de Lira fundamental para que a parlamentar ganhe corpo como o nome indicado pela Casa.

Ele tem afirmado a aliados que vai buscar dar visibilidade à deputada com a escalação de Canziani para tocar as pautas da Câmara relacionadas à educação, tais como ensino híbrido, combate à evasão escolar, Sistema Nacional de Educação e regulamentação de pontos ainda não ajustados do novo Fundeb. O presidente da Casa também dará a Canziani a relatoria do Marco Legal da Inteligência Artificial.

A estratégia visa ressaltar a suposta diferença de proatividade entre o parlamento e o ministério, dando força para que a mudança seja concretizada. Pesa contra a parlamentar, no entanto, a pouca idade para comandar uma máquina tão pesada, tendo em vista que Canziani completará 25 anos no próximo domingo.

Diferentemente de Salles, que contou com apoio da bancada ruralista para permanecer à frente do Meio Ambiente, Milton Ribeiro não usufrui do beneplácito da bancada evangélica.

— O ministro da Educação foi uma indicação do André Mendonça (ministro da Advocacia-Geral da União). Milton Ribeiro não representa a bancada evangélica e, inclusive, depois que assumiu, disse que não precisaria do nosso apoio. A igreja dele e do André Mendonça, que é a Presbiteriana, tem 1% do segmento evangélico no país e dois ministros na esplanada. Ressalto que é um critério do presidente fazer qualquer alteração nos ministérios — disse o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos integrantes da bancada evangélica mais próximos de Bolsonaro.

Info: O Globo

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