Terminais de ônibus são locais com maior risco de contaminação por Covid, aponta estudo da Fiocruz no Recife

Pesquisadores analisaram amostras coletadas em locais de grande circulação de pessoas e quase metade dos materiais com presença do vírus estava em terminais integrados da capital.

30 de junho de 2021

Foto: reprodução

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Recife identificou os terminais integrados de ônibus como os locais com maior risco de as pessoas serem infectadas pelo vírus causador da Covid-19. Das amostras positivas, 48,7% foram encontradas em terminais e 26,8% nos arredores de hospitais.

“A gente identificou os pontos críticos de controle, locais em que você tem que tomar um cuidado extra. Nesses pontos que têm grande trânsito de pessoas, como terminais de ônibus e entorno de hospitais, as pessoas têm que tomar um cuidado redobrado”, apontou o pesquisador da Fiocruz Lindomar Pena.

As amostras foram coletadas em superfícies de locais com grande movimentação de pessoas no Recife: terminais de passageiros, unidades de saúde, parques públicos, mercados públicos, áreas de praia e centro de distribuição de alimentos. Todas foram submetidas ao exame considerado padrão ouro para detecção do novo coronavírus, o RT-PCR.

Depois dos arredores de hospitais, do total de amostras positivas, 14,4% foram encontradas parques públicos, 4,1% em mercados públicos e 4,1% em praias.

“Nós coletamos um total de 400 amostras de locais que as pessoas colocam muito a mão, como corrimão de escada, maçaneta de banheiro, porta-guardanapo, leitor de biometria. No geral, das 400 amostras, achamos quase um quarto positivas [para o vírus]. É maior do que a gente imaginava”, afirmou o pesquisador.

As reclamações de aglomerações em terminais integrados foram frequentes durante a pandemia, mesmo durante períodos em que havia restrição de atividades.

A Defensoria Pública do Estado e o Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela gestão dos ônibus na Região Metropolitana, fizeram um acordo para tentar melhorar a situação. Ainda assim, aglomerações e pessoas sem máscara fazem parte da rotina de quem precisa do transporte público.

“Eu venho de metrô e pego ônibus, é sempre cheio. […] Quando eu pegava às 6h30, era muito lotado. É muita gente sem máscara”, afirmou a caixa Maria Adriana da Silva, que contou andar sempre com álcool na bolsa para higienizar as mãos.

Info: G1

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