Ao ser questionado pela CPI da Covid nesta terça (11), presidente da Anvisa disse que foi ao Planalto para uma conversa particular com Bolsonaro, mas havia uma manifestação na área em frente e o presidente "deslocou-se para proximidade dos seus apoiadores".

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O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Barra Torres, afirmou em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (11) que se arrependeu de ter aparecido ao lado do presidente Jair Bolsonaro em uma manifestação no início da pandemia, em março de 2020.
A CPI da Covid pretende apurar ações e omissões do governo federal e eventuais desvios de verbas federais enviadas aos estados para o enfrentamento da pandemia. Já foram ouvidos os ex-ministros da saúde, Nelson Teiche Luiz Henrique Mandetta, assim como o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
“É óbvio que em termos da imagem que isso passa, hoje tenho plena ciência de que se pensasse mais 5 minutos não teria feito”, disse.
O presidente da Anvisa disse que foi ao Palácio Planalto para conversar em particular com Bolsonaro. Entretanto, “havia sim uma manifestação na área em frente” e, segundo Barra Torres, assim que ele chegou, o presidente “deslocou-se para proximidade dos seus apoiadores”.
“Eu estive no Palácio do Planalto em conversa particular com o presidente naquele dia, havia sim uma manifestação na área em frente ao palácio do planalto e quando eu cheguei o presidente deslocou-se para proximidade dos seus apoiadores o que é comum”, afirmou.
“Presidente tem essa interação com o público, ele fez isso e faz isso, diversas vezes, cumprimentei com o cotovelo que era o cumprimento preconizado na época, ainda não se usava esse toque de mão, tirei algumas fotos, aguardei ali que ele terminasse a interação com seus apoiadores, tratamos do assunto que tínhamos a tratar e cada um foi para o seu lado”, disse.
Barra Torres disse ainda que o assunto não necessitava urgência e foi um momento em que ele não refletiu “na questão da imagem negativa que isso passaria”
“Até porque esse assunto não era nenhum assunto que necessitasse de urgência para ser tratado. De minha parte, digo que foi um momento que não refleti na questão da imagem negativa que isso passaria e certamente depois disso nunca mais houve esse tipo de comportamento meu, por exemplo”, disse.
Na ocasião, Barra Torres estava sem máscara ao que o presidente da Anvisa argumenta que em março de 2020 a orientação do Ministério da Saúde era de que o uso de máscaras deveria ser destinado a “profissionais de saúde, cuidadores de idosos, mães amamentando e pessoas diagnosticadas com coronavírus”.
“Naquela época, em março, especificamente no dia 15 de março de 2020, o que preconizava o Ministério da Saúde, tornado explícito em 13 de março, foi o seguinte: máscaras faciais devem ser usadas por profissionais de saúde, cuidadores de idosos, mães amamentando e pessoas diagnosticadas com coronavírus”, afirmou.
O presidente da Anvisa disse ainda que, “destarte a amizade” que tem com o presidente, “a conduta do presidente difere” da dele.
“[…] destarte a amizade que tenho com o presidente, a conduta do presidente difere da minha nesse sentido. As manifestações que faço têm sido todas no sentido do que a ciência determina. Na última live com o presidente, eu permaneci o tempo todo com o máscara, o que causou até uma certa estranheza por parte de alguns integrantes da imprensa, ao ponto de comentarem isso até com referência elogiosa, então, são formas diferentes, de pessoas diferentes”, afirmou.
Info: G1