Para secretário-geral da ONU, com a pandemia da Covid-19, países menos desenvolvidos apresentam risco de não pagarem suas dívidas; dólar sobe para R$ 5,80.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um alerta nesta segunda-feira (29) para um possível risco de países em desenvolvimento não pagarem suas dívidas por conta dos efeitos fiscais da pandemia do novo coronavírus. Para António Guterres, secretário-geral do órgão, a não ser que medidas sejam tomadas, o mundo corre o risco de ter “uma outra década perdida”.
De acordo com a ONU, 42 economias que fizeram empréstimos em mercados capitais sofreram rebaixamentos soberanos desde o início da pandemia, sendo seis países desenvolvidos, 27 economias emergentes e nove países subdesenvolvidos. Somente no último ano, segundo Guterres, seis países deram calotes nas suas dívidas externas: Argentina, Belize, Equador, Líbano, Suriname e Zambia.
A ONU faz um alerta: “tais rebaixamentos aumentam os custos dos empréstimos, em especial para países em desenvolvimento, o que pode, por sua vez, aumentar o risco de mais nações terem dívidas insustentáveis”. O risco se torna ainda maior se a pandemia durar mais tempo do que o previsto.
Países que não têm dívida relevante em dólar, como o Brasil e a África do Sul, também apresentam risco de dar calote nos próximos meses. No caso do Brasil, segundo Guterres, o ponto é a redução no prazo médio das dívidas — o que pode culminar em um problema muito maior em um futuro próximo e acabar com a “ilusão de sustentabilidade” que existe por aqui. Como resultado da afirmação do secretário-geral, o dólar renovou a máxima das últimas semanas, batendo a marca de R$ 5,80.
“Há um risco real de se perder o controle da dinâmica da dívida caso não se estabilize mais rapidamente as impressões sobre o governo federal que está sofrendo crises reiteradas. A crise desta semana é a eventual saída do chanceler Ernesto Araújo e a discussão sobre isso sem dúvida eclipsa a agenda de reformas e outras medidas”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton. De fato, o ministro pediu demissão no início da tarde desta segunda-feira (29).
Info: CNN