Natal continua sem 100% da frota de ônibus nas ruas mais de um mês após decisão judicial

Justiça determinou prazo de cinco dias para prefeitura entregar documento com aumento percentual de acréscimo nas linhas de ônibus, detalhando linha a linha o número de veículos em horários regulares e de pico.

15 de abril de 2021

Foto: reprodução

Mais de um mês após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte conceder uma liminar e determinar volta de 100% da frota de ônibus no transporte público de Natal às ruas da capital, a decisão ainda não foi cumprida. Uma audiência de conciliação realizada nesta quinta-feira (15) terminou sem qualquer acordo. Foi a terceira sobre o assunto.

No dia 6 de abril, a Comissão de Transporte da Câmara Municipal de Natal flagrou, através de imagens aéreas, 233 ônibus das empresas nas garagens das empresas entre 6h20 e 7h50, considerado horário de pico.

A Secretaria de Mobilidade afirmou que determinou a retorno da frota e inclusive multou as empresas pelo descumprimento, porém os empresários alegaram que não têm condições financeiras de voltar com 100% da frota, devido à redução de passageiros e custos de setor.

Após o encontro em formato online, a Justiça deu prazo de cinco dias para que a prefeitura entregue ao Ministério Público e à Defensoria Pública um documento com o percentual de acréscimo nas linhas de ônibus de Natal, detalhando linha a linha o número de veículos em horários regulares e de pico.

Segundo a Justiça, o município se comprometeu a enviar o documento detalhando a porcentagem de ônibus que podem ser incrementados linha a linha, por horário, além de especificar as condições para aceitar o acordo.

A defensora pública Cláudia Carvalho ressaltou a importância dos números concretos a partir de estudos, para que se pudesse de fato se viabilizar o aumento da frota.

“Queremos saber quantos veículos serão acrescidos, já vimos que o remanejamento não funciona”, considerou a defensora. “Os usuários estão há muito tempo vivendo a suspensão de linhas e de aglomeração em determinadas linhas. Algumas linhas, como o 73, transportam cerca de 10 mil usuários por dia. É preciso que exista ação do poder público”, acrescentou.

Já o prefeito de Natal, Álvaro Dias, afirmou que o acordo só vai se efetivar se houver um contraponto econômico e pediu que a Defensoria Pública faça mediação com o estado para buscar a diminuição do ICMS cobrado às empresas.

Álvaro propôs zerar temporariamente o ISS (Imposto Sobre Serviços), mas o presidente do Seturn, Agnelo Cândido, argumentou que o valor não seria suficiente.

“O município é o gestor, diz que aplica as multa às empresas. As empresas dizem que não podem circular como a situação está, e também o senhor prefeito e o secretário de transportes estão intimados da reativação da decisão através do desembargador Vivaldo, presidente do Tribunal. Infelizmente a nossa população continuará sendo conduzida de maneira a aglomerar no tempo em que o coronavirus, não interessa se chove ou não chova, o corona não importa se é dia ou noite, ele está presente. É um inimigo oculto que vai enlutando os lares, trazendo sofrimento para todas as famílias e brasileiros. Após uma hora e 43 minutos de audiência lamento estar encerrando ainda sem conseguir acordo nesse processo que é tão essencial a todos”, afirmou o juiz Francisco Seráphico.

Info: G1

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