Julgamento de recurso é adiado e greve dos ônibus entra no oitavo dia em Teresina

Reunião julgaria recurso apresentado pelo Setut, Sindicato das empresas, diante da determinação do TRT-PI, que obrigou o pagamento do ticket alimentação e plano de saúde aos motoristas e cobradores de ônibus.

4 de novembro de 2020

Foto: reprodução

Foi adiada na manhã desta quarta-feira (4) a reunião que julgaria o recurso do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut). A reunião poderia encerrar a greve dos ônibus na capital, que agora continuam circulando de forma reduzida pelo oitavo dia consecutivo. Esta é a terceira greve da categoria em 2020.

Desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PI), advogados do Setut e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Transportes Rodoviários (Sintetro) participaram da sessão por videochamada, como medida de prevenção contra a Covid-19.

De acordo com o juiz Carlos Wagner Araújo Nery, o pedido de suspensão da sessão foi feito pelos advogados dos sindicatos.

“O Setut alega que o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia suspendido o andamento do Dissídio Coletivo e o Sintetro alega que não se manifestou a tempo no agravo regimental. Então o processo voltou ao gabinete para eu analisar essas duas questões, antes de ir para a pauta novamente”, disse.

O Setut apresentou o recurso no dia 19 de outubro, após o TRT-PI determinar o pagamento dos tickets alimentação e planos de saúde dos motoristas e cobradores do transporte público de Teresina.

Os trabalhadores já reivindicaram, por meio de greve, direitos referentes aos tickets alimentação, planos de saúde e melhores condições de trabalho por três vezes neste ano. A paralisação atual iniciou no dia 28 de outubro e já dura oito dias.

Por meio de nota, o Setut informou que a quantidade de ônibus circulando na manhã desta quarta-feira (4) foi inferior à de ontem, com apenas 47 veículos saindo das garagens. Sem acordo entre trabalhadores e empresários, a greve continua em Teresina.

Paralisações em 2020

A primeira paralisação aconteceu em 15 de maio, quando os motoristas pediram por melhores condições de trabalho e medidas de prevenção à Covid-19. Em seguida, as reivindicações se adequaram à demanda da Covid-19, já que muitos contratos de motoristas e cobradores foram suspensos e todos perderam ticket alimentação e planos de saúde.

Com a volta das atividades econômicas e as flexibilizações do comércio de Teresina em julho, o retorno dos ônibus era necessário, mas o Sintetro mantinha a greve e os trabalhadores do transporte coletivo se recusavam a voltar com suas atividades.

No dia 8 de julho, após decisão da Justiça do Piauí, o sindicato passou a cumprir os 30% de frota durante os horários normais e nos horários de pico 70% da frota permitida circular durante a pandemia, fazia os percursos.

No dia 11 de agosto, o sindicato suspendeu a greve e os ônibus passaram a circular com 100% da frota da pandemia (120 ônibus). Antes da pandemia, eram 400 ônibus. O Sintetro alegou, na época, que os trabalhadores temiam perder seus empregos e continuarem com contratos suspensos.

O sindicato deflagrou a greve pela segunda vez no dia 13 de outubro, ainda sem acordo com o Setut para negociar a norma coletiva de trabalho e garantir o direito ao plano de saúde e ticket alimentação.

No dia 14 de outubro, os motoristas e cobradores de ônibus decidiram pela suspensão da greve. De acordo com a categoria, a decisão veio após o Tribunal Regional do Trabalho do Piauí (TRT-PI) determinar que as empresas de ônibus paguem vale-alimentação e plano de saúde, duas das principais reivindicações do movimento. O Setut afirmou que recorreria da decisão.

As atividades foram paralisadas pela terceira vez neste ano no dia 28 de outubro. A categoria deflagrou greve após o Setut apresentar um recurso diante da determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Piauí, pelo pagamento dos vale-alimentação e plano de saúde a trabalhadores.

Leia a íntegra da nota do Setut:

O SETUT informa que nesta quarta-feira (04) houve baixa saída de ônibus, com quantidade inferior à de ontem. Dos 168 veículos, apenas 47 saíram das garagens. Portanto, a greve continua.

Info: G1

COMPARTILHE:


COMENTE: