Ao longo do depoimento, o ex-secretário se contradisse ao garantir que nunca participou de negociações para compra das vacinas e ao negar ter chamado Eduardo Pazuello de "incompetente".

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Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira, 12, Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, confirmou que o governo ignorou por dois meses uma carta enviada pela farmacêutica Pfizer em 12 de setembro. Segundo ele, o texto foi respondido pela Secom em 9 de novembro. Antes disso, nem o Ministério da Saúde deu retorno à Pfizer.
A carta foi enviada ao presidente da República, Jair Bolsonaro; ao vice-presidente, Hamilton Mourão; ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; e ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Além deles, o chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Nestor Forster, receberam a correspondência. Nenhum deles teria respondido, segundo Wajngarten.
O ex-secretário disse que foi avisado sobre a carta por um dono de veículo de comunicação e respondeu assim que soube, em 9 de novembro. Ele contou que, 15 minutos depois de enviar a resposta, recebeu uma ligação do presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, agradecendo o retorno.
Em 17 de novembro, Wajngarten recebeu Murillo para uma reunião no gabinete da Secom, no Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro e Pazuello não participaram do encontro. Na ocasião, o presidente da Pfizer no Brasil agradeceu a resposta e disse que queria que o país fosse “a vitrine, na América Latina, da vacinação da Pfizer”.
Depois disso, o então secretário disse ter recebido representantes da Pfizer em outras duas ocasiões. Uma para a farmacêutica explicar sobre a caixa de armazenamento da vacina, que exige uma temperatura muito baixa, de -70 graus celsius. Na terceira reunião, trataram de impedimentos para “a maior velocidade da contratação”. O presidente da Pfizer no Brasil só teria participado da primeira.
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