Governo anuncia bloqueio de R$ 8,2 bilhões em gastos e reduz orçamento dos ministérios

Contingenciamento de despesas foi anunciado pelo Ministério da Economia por meio do relatório de receitas e despesas do orçamento. Bloqueio ainda não contempla reajuste de servidores.

20 de maio de 2022

Foto: reprodução

O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira (20) um bloqueio adicional de gastos de R$ 8,2 bilhões no orçamento deste ano, o que irá reduzir ainda mais as verbas destinadas aos Ministérios.

O contingenciamento, divulgado por meio do relatório de receitas e despesas do orçamento de 2022, tem por objetivo cumprir a regra do teto de gastos — pela qual a maior parte das despesas não pode subir acima da inflação do ano anterior.

O bloqueio, realizado nos gastos “livres” (que podem ser ajustados pelo governo), se fez necessário porque houve aumento da estimativa com gastos obrigatórios.

Houve crescimento de R$ 4,8 bilhões para o pagamento de sentenças judiciais, de R$ 2 bilhões com o Proagro e de R$ 2,3 bilhão com o plano Safra, entre outros. Também houve redução de algumas despesas, em R$ 900 milhões, o que fez o bloqueio ficar em R$ 8,2 bilhões.

As áreas onde as restrições serão implementadas ainda não foram detalhadas e deverão constar em um decreto presidencial, a ser editado até o fim do mês.

Segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, o bloqueio deve ser realizado nas despesas discricionárias (custeio e investimento dos ministérios) ou em emendas de comissão ou de relator.

Ainda, de acordo com Colnago, a tendência é que o corte se concentre nas despesas discricionárias, preservando as emendas. Ele afirma ainda que o orçamento de nenhum ministério será “estrangulado”.

“Vamos olhar os ministérios, os que estão com mais dificuldade orçamentária, Economia é uma delas, e buscar preservar dentro do possível [o orçamento] dos que estão com mais dificuldade”, disse.

Esse é o segundo bloqueio no orçamento de 2022. O primeiro, realizado em março deste ano, foi de R$ 1,72 bilhão e contemplou as emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”.

O bloqueio adicional de R$ 8,2 bilhões equivale a cerca de 6,2% das chamadas despesas discricionárias dos ministérios, ou seja, dos gastos “livres” do governo (sobre os quais o Executivo tem controle). Os gastos livres equivalem a 7,4% das despesas primárias totais.

A maior parte do orçamento, em 2022, refere-se aos gastos obrigatórios, que não podem ser bloqueados. Estes equivalem a 92,6% de todas as despesas. Entre os gastos obrigatórios, por exemplo, estão os pagamentos dos salários dos servidores, das aposentadorias do INSS e do seguro-desemprego.

Info: G1

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