“É melhor que idosos acima de 80 anos não recebam 3ª dose da Coronavac”, diz epidemiologista

José Cássio de Morais também afirmou que todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil têm um papel importante no controle da pandemia.

2 de setembro de 2021

Foto: reprodução

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (2), o epidemiologista e especialista em imunização José Cássio de Morais afirmou que é melhor que idosos acima de 80 anos e pessoas imunossuprimidas (transplantadas recentemente, com câncer e queimaduras graves) não recebam a terceira dose da Coronavac.

Segundo Morais, o que se tem até agora são informações a respeito de como as vacinas se comportam na vida prática. “Dados recentemente publicados no Brasil e que fazem a comparação entre a AstraZeneca e a Coronavac mostram que nos indivíduos acima de 80 anos a resposta da AstraZeneca é melhor que a da Coronavac. A da Pfizer deve ter o mesmo efeito [da AstraZeneca]”, disse.

“Por isso, a resposta melhor seria utilizar, em pessoas acima de 80 anos e imunossuprimidas, uma outra vacina e não a Coronavac”, acrescentou.

O médico também lembrou que ainda não se sabe a dimensão da proteção de uma terceira dose contra o novo coronavírus na população em geral. “Poucos países ainda estão usando terceira dose, e não houve ainda uma análise sobre isso.”

Com relação às outras faixas etárias, o epidemiologista afirmou que “provavelmente a Coronavac terá a sua utilidade”.

A aplicação da terceira dose contra a Covid-19 em idosos e pessoas com problemas de imunidade está prevista para começar no próximo dia 15 em todo o país. Mas o tipo de vacina que será utilizada nesse reforço ainda é assunto de discussão entre o governo federal e alguns estados, entre eles, São Paulo.

Na avaliação do especialista, é “lamentável” a politização que está ocorrendo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

“Todas as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil têm um papel importante no controle da pandemia, e não se tem estudos mostrando qual a duração da imunidade provocada por cada uma das vacinas. E quando foram feitos os estudos dos ensaios clínicos, não foi utilizado a população das pessoas imunossuprimidas, tampouco a população acima de 80 anos.”

Info: G1

 

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