Delegado e policiais civis são afastados em operação do Ministério Público na Grande Fortaleza

Um empresário também foi alvo da operação do Ministério Público do Ceará. Os agentes são suspeitos de praticarem abuso de autoridade, corrupção passiva, tortura psicológica, dentre outros crimes.

9 de outubro de 2020

Foto: reprodução

Um delegado, cinco inspetores e um empresário são alvos da “Operação Fim de Linha” deflagrada, nesta sexta-feira (9), pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). A operação ocorreu em Maracanaú, na Grande Fortaleza. Os policiais civis foram afastados por 180 dias. Os nomes não foram revelados pelo MPCE.

O grupo é investigado por suposta prática dos crimes de abuso de autoridade, corrupção passiva, tortura psicológica, coação no curso do processo, prevaricação, usurpação de função pública, extorsão, violação de domicílio e associação criminosa cometidos por delegado e inspetores da Polícia Civil do Ceará. Eles estavam lotados na Delegacia Metropolitana e, atualmente, no 20° Distrito Policial daquela cidade.

Afastados dos cargos

A 2ª Vara Criminal de Maracanaú, a pedido do MPCE, determinou buscas e apreensões nas residências dos sete investigados e na sede do 20° Distrito Policial. Ainda de acordo com o órgão, a determinação judicial, todos os policiais, investigados em cinco procedimentos investigatórios criminais conduzidos pelo Ministério Público, devem ficar afastados das funções por 180 dias.

A Justiça mandou, ainda, que armas e distintivos oficiais fossem entregues e que os policiais e evitar contato entre si ou com testemunhas, sob pena de imediata decretação da prisão preventiva.

Investigações

No contexto das investigações, o MP apura as razões de diversos pedidos de prisão preventiva formulados de maneira precipitada contra uma empresária local, em decorrência de uma briga familiar. Todos os pedidos tiveram manifestação contrária dos promotores criminais de Maracanaú, com algumas decisões judiciais contestatórias.

O MPCE destaca a apuração da realização de prisões ilegais por alguns dos investigados, inclusive com supostos flagrantes forjados, o que já ensejou até pedido de absolvição de um cidadão acusado por tráfico de drogas. Outro fato atentado durantes as investigações é a amizade virtual em uma rede social, até pouco tempo atrás, entre um dos policiais civis investigados e um conhecido traficante da cidade com mandado de prisão em aberto.

Ameaças contra vítimas e crime eleitoral

O MPCE também analisa ameaças feitas contra vítimas para não prestarem depoimento, inclusive, valendo-se da condição de possuírem parentes nas Polícias Civil e Militar. Ressalta-se, ainda, a coleta de indícios alusivos a crime eleitoral e conduta vedada aos agentes públicos em ano eleitoral, consistente no uso das dependências da Delegacia do 20° Distrito Policial para atos com caráter político-eleitoral.

Outro crime averiguado é eventual abuso de poder político, caracterizável pelo direcionamento da atuação policial, em alguns casos com invasão da atribuição de outras Delegacias, para promoção pessoal com fim eleitoral de policial candidato, cuja apuração será conduzida pelos promotores eleitorais atuantes em Maracanaú.

Denúncias

O Ministério Público, por meio do Grupo de Trabalho instituído pelo procurador-geral de Justiça para investigar o caso, conclama todos os cidadãos de Maracanaú a colaborarem com as investigações, procurando as Promotorias da cidade para relatarem fatos e apresentarem provas contra abusos praticados por policiais lotados na Delegacia Metropolitana de Maracanaú e no 20° Distrito Policial. Os fatos serão apurados no rigor da lei. As denúncias também podem ser anônimas.

Info: G1

 

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