CPI ouve diretor da Prevent Senior, acusada de ocultar mortes em estudo sobre cloroquina

Empresa também teria pressionado médicos a recomendar remédios ineficazes contra a Covid-19. Pedro Benedito obteve no STF direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo.

22 de setembro de 2021

Foto: reprodução

A CPI da Covid ouve nesta quarta-feira (22) Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da empresa de plano de saúde Prevent Senior.

O depoimento de Batista Júnior estava previsto para a última quinta-feira (16), mas ele não compareceu. Na semana passada, o diretor-executivo da Prevent Senior obteve no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não responder a perguntas dos senadores que possam incriminá-lo.

A CPI da Covid investiga se o plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pacientes em estudo realizado para testar hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para o tratamento da Covid-19.

A Comissão recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações ineficazes contra a Covid-19 foi resultado de um acordo entre o governo Jair Bolsonaro e a Prevent.

A reportagem da Globonews teve acesso à planilha com os nomes e as informações de saúde de todos os participantes do estudo. Nove deles morreram durante a pesquisa, mas os autores só mencionaram duas mortes.

O estudo foi divulgado e enaltecido por Bolsonaro, como exemplo de sucesso do uso da hidroxicloroquina. Ele postou resultados do estudo e não mencionou as mortes de pacientes que tomaram o medicamento.

Em pronunciamento durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (21), Bolsonaro voltou a defender tratamento ineficaz contra o novo coronavírus.

Em nota, a operadora negou e repudiou as denúncias, e disse que está tomando medidas para investigar quem, segundo a empresa, “está tentando desgastar a imagem da Prevent Senior”.

Pressão sobre médicos

A Prevent Senior também é acusada de pressionar médicos a recomendar remédios ineficazes contra a Covid-19.

Segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo, o plano teria coagido médicos a declararem que receitaram o chamado “Kit Covid”, com drogas ineficazes, por livre e espontânea vontade.

Médicos, que trabalharam na empresa durante a pandemia, afirmam que eram obrigados a prescrever aos pacientes a medicação que não funciona.

Os senadores cobrarão de Pedro Benedito Junior explicações sobre essas denúncias.

Info: G1

 

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