Corte de verbas pode provocar fechamento de 30 universidades federais

Algumas dessas instituições, como a UFRJ e a Unifesp já alertaram que poderão interromper suas atividades já no próximo mês de julho se os recursos destinados não forem desbloqueados.

8 de junho de 2021

Reprodução

Até o final deste ano, quase metade das 69 universidades federais do país correm o risco de fechar as portas por falta de recursos. Mesmo que todo o orçamento atual seja desbloqueado, ainda assim existe um sério risco de colapso em pelo menos 30 dos mais importantes centros universitários, alertam as reitorias.

Segundo reportagem do jornal O Globo, entre as instituições ameaçadas estão a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal da Região do ABC paulista (UFABC) e instituições federais em estados como Maranhão, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo, que passam por uma grave crise financeira.

Algumas dessas instituições, como a UFRJ e a Unifesp já alertaram que poderão interromper suas atividades já no próximo mês de julho se os recursos destinados não forem desbloqueados.

Além do baixo valor destinado no orçamento, a crise no ensino superior federal foi agravada ainda mais pela PEC do Teto dos Gastos que congelou investimentos sociais por 20 anos, aprovada pelo Congresso após o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e mantida pelo atual governo.

Para se ter ideia dos cortes, o valor deste ano dos gastos discricionários (pagamentos de contas de água, luz, segurança e limpeza) soma R$ 4,3 bilhões, sendo que R$ 789 milhões (17%) ainda estão indisponíveis aguardando liberação por parte do Ministério da Educação (MEC). As universidades defendem que esse orçamento suba para o mesmo índice do ano passado que foi de R$ 5,6 bilhões. A discrepância é tão grande no atual governo que essa mesma verba em 2011 chegou a ser de R$ 12 bilhões.

O baixo valor destinado às universidades vai provocar o fechamento de prédios diante da impossibilidade de manutenção dos mesmos, já que até mesmo contas de luz e de água não conseguirão ser pagas, além de afetar diretamente as pesquisas que continuam sendo realizadas mesmo durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, e até mesmo o ensino remoto em algumas das instituições poderá ser paralisado. Para não falar no corte de bolsas de estudos destinadas aos alunos mais pobres.

Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), por exemplo, esses cortes já começaram. A instituição teve que reduzir 869 bolsas de pesquisa e também reduziu o valor das que pagam a assistência estudantil. A UFJF já demitiu 307 funcionários terceirizados, mas mesmo com esses cortes a situação é crítica, pois segundo a reitoria o déficit da UFJF subiu para R$ 13 milhões e irá comprometer o seu funcionamento no segundo semestre.

Algumas instituições, como é o caso da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), só conseguirão se manter até setembro, já que o corte feito representa três meses de despesas. Na UniRio, o corte de investimentos foi total, o que irá impossibilitar a reforma de prédios históricos, como Centro de Letras e Artes e o Centro de Ciências Jurídicas e Políticas, cuja má conservação já interditou várias partes do prédio. E outras que afirmam conseguir chegar abertas ao final do ano com as verbas disponibilizadas já avisaram que terão que suspender programas de apoio a pesquisas e extensão, como é o caso da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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