Candidatos ao Conselho Tutelar de Fortaleza fazem abaixo-assinado pedindo cancelamento da eleição

Entre as irregularidades apontadas por ele, estão fraudes diversas na campanha, como compra de votos e ausência de nomes de candidatos nas listagens disponíveis nas seções eleitorais.

14 de outubro de 2019

Um grupo de candidatos derrotados ao Conselho Tutelar de Fortaleza entregou nesta segunda-feira (14) um abaixo-assinado e documentos que comprovariam irregularidades na eleição dos 40 membros do colegiado na capital cearense.

Eleito suplente e atual conselheiro, Rondenelle Mendes de Araújo reuniu ontem (13) os postulantes que não obtiveram votos suficientes para conseguir uma vaga. Eles concluíram a coleta de assinaturas e discutiram ação judicial que pedirá a anulação da eleição.

Postulantes querem que o processo de escolha dos novos conselheiros na Capital seja suspenso por causa de irregularidades.(Foto: Aurélio Alves)

Entre as irregularidades apontadas por ele, estão fraudes diversas na campanha, como compra de votos e ausência de nomes de candidatos nas listagens disponíveis nas seções eleitorais. Além disso, “alguns eleitores não conseguiram votar por conta de filas quilométricas ou por não encontrar a seção, o que gera uma dúvida muito grande”, acrescenta.

Morador do Castelão, Mauro Régis pretendia candidatar-se pela primeira vez ao Conselho Tutelar, mas sua postulação foi indeferida pela Justiça. Mesmo com recurso, não teve sucesso. No domingo, 6 de outubro, dia da votação, Régis relata que seu nome era um dos que estavam entre os candidatos.

“Quando saiu o resultado da eleição, olhei a listagem e estava lá meu nome. Com dois votos, ainda por cima. Nem eu sabia que estava como candidato e que seria votado”, conta, rindo. Para ele, no entanto, o prejuízo de imagem foi imenso. “Fica difícil pra gente, até no próximo pleito, tentar trabalhar meu nome.”

Até agora, o Ministério Público entrou com pedido de impugnação de candidaturas em três municípios do Interior: Guaraciaba do Norte, Iguatu e Pentecoste. Em Fortaleza, a promotora Antônia Lima de Sousa, a quem cabe processar as denúncias, já disse que não vê razões para suspender a eleição. De acordo com ela, “anular o pleito irá favorecer quem praticou as condutas vedadas”.

Professora da rede estadual e moradora do bairro Antônio Bezerra, Ana Cláudia Marques é uma das que aderiram ao abaixo-assinado questionando o processo de escolha dos conselheiros. Para ela, “aquilo que poderia fazer com que a rede de proteção da criança se potencializasse acaba por virar uma disputa desleal”.

Ana Cláudia assegura que, no dia da votação, presenciou muitas irregularidades. “A gente viu o dinheiro e a desorganização”, afirma. “O poder público falhou porque deveria ter se preparado, já que todo mundo tem uma ideia das eleições passadas.”

Informações: O Povo

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