Em evento com governadores, mas sem Doria, Bolsonaro ameniza tom e fala em união contra covid-19

Antes de Bolsonaro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou que todos os estados serão tratados de forma igual em relação à vacina.

16 de dezembro de 2020

Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou hoje um tom conciliador com os governadores e pregou união para buscar uma solução contra o novo coronavírus em discurso durante lançamento do plano nacional de vacinação. Bolsonaro se disse “honrado” em receber os governadores e disse que alguns não compareceram por “motivo de força maior”.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário político do presidente, não foi ao evento. Ele justificou que é seu aniversário de 63 anos, vai ficar próximo à família e despachar de São Paulo. Em seu lugar foi enviado o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn.

O tom ameno destoa de declarações dadas por Bolsonaro ao longo dos meses. Desde o início da pandemia, o presidente e parte dos governadores têm mantido uma relação conflituosa, especialmente a respeito do impacto da pandemia na economia.

“Se algum de nós extrapolou, foi no afã de buscar solução. Realmente nos afligiu desde o início. Não sabia o que era esse vírus e ainda não sabemos em grande parte. Nós todos estamos na iminência de apresentar alternativa concreta para nos livrar desse mal, que é o plano de operacionalização da vacinação contra covid-19 (…) São 27 governadores com propósito de bem comum a volta da normalidade”, discursou o presidente.

Antes de Bolsonaro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou que todos os estados serão tratados de forma igual em relação à vacina e que não se pode colocar em dúvida a credibilidade da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No mês passado, Doria acusou Bolsonaro de interferir na agência. Ele não apresentou provas disso, mas disse que a agência agiu de forma ideológica ao interromper os testes da vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, por dois dias na ocasião.

“Todos estados serão tratados de forma igualitária, proporcional e não haverá diferença. Todas as vacinas produzidas no Brasil, por Butantan ou Fiocruz, terão prioridade do SUS. Isso está pacificado. Está discutido. Está muito bem tratado e acompanhado”, disse o ministro.

Durante reunião com governadores no dia 8 de dezembro, Pazuello foi cobrado por Doria sobre as razões de o governo federal não ter investido recursos na CoronaVac. O tucano ainda questionou se o ministério irá comprar a CoronaVac após aprovação da Anvisa. “Eu já respondi isso, a todos os governadores, quando a vacina do Butantan, que não é do estado de São Paulo, tá, governador? Ela é do Butantan, eu não sei por que o senhor fala tanto como se fosse do estado”, disse o ministro da Saúde na ocasião.

“Qualquer fumaça ou discussão anterior ficou na discussão. Estamos afirmando que todos brasileiros receberão vacina de forma grátis, igualitária e proporcional nos postos. Vacinas registradas e garantidas na segurança e eficácia. Não podemos brincar com saúde da população”, falou hoje Pazuello, aplaudido pelos presentes.

No evento desta manhã, o presidente esteve acompanhado de outros quatro militares à frente no palco onde foram feitos os discursos: Pazuello, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Braga Netto (Casa Civil) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa). Nenhum deles usava máscara.

Info: UOL

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