Piauí notifica dez casos de síndrome relacionada ao coronavírus

A síndrome é uma reação inflamatória grave e sistêmica que acontece em crianças e adolescentes.

15 de setembro de 2020

Foto: Reprodução

O estado do Piauí já notificou dez casos da Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica (SIM-P), que está relacionada ao coronavírus. Devido a esse crescimento a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) faz um alerta aos pais sobre os cuidados necessários com as crianças e adolescentes.

Quatro casos de crianças piauienses com a síndrome já foram confirmados, elas são de Teresina e Nazária. “No momento, estamos investigando mais três casos. Dos sete casos confirmados, quatro são do Piauí e três do Maranhão, sendo que um desses casos, do estado vizinho, veio a óbito em um hospital da capital piauiense. As crianças têm faixa etária de um a 13 anos”, disse a coordenadora Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), Amélia Costa.

A síndrome é uma reação inflamatória grave e sistêmica que acomete crianças e adolescentes e está associada ao coronavírus. Os sintomas são semelhantes aos da doença de Kawasaki, condição que causa inflamação nos vasos e tem sintomas como febre alta e lesões na pele, e ataca as faixas etárias de zero a 19 anos, como explica a presidente da Sociedade Piauiense de Pediatria, a médica infectologista pediátrica, Anenisia Coelho. “Os pais devem ficar atentos quando a criança apresentar febre acima de 38° por mais de três dias, erupções cutâneas, inchaço nas mãos e nos pés, conjuntivite, dor abdominal, diarreia e vômito. Já que estamos falando de uma doença muito séria que pode comprometer órgãos como o coração”, alerta.

Segundo a especialista, os sintomas da síndrome não costumam aparecer na fase aguda da Covid-19, tendo sua manifestação tempos depois, muitas vezes, em crianças que sequer apresentaram sintomas do coronavírus. “A Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica costuma aparecer de três a quatro semanas após o pico da Covid-19. Muitas vezes, após a criança até desenvolver anticorpos contra o coronavírus. No Piauí, a faixa etária mais atingidas é abaixo de cinco anos, diferente de outros lugares do mundo, onde a síndrome se manifesta com mais frequência nas idades de oito a onze anos”, lembra Anenisia Coelho.

Por se tratar de uma doença que apresenta manifestações inflamatórias intensas, o tratamento adotado atualmente pelos médicos envolve medicamentos para controlar o processo como Imunoglobulina, corticoides e antibióticos, chegando em alguns casos na necessidade de entubar a criança.

Os cuidados para prevenir as crianças e adolescentes do coronavírus, causador da Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica devem ser mantidos pelos pais, como lavar as mãos com água e sabão por até 30 segundos, uso de máscaras, cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, evitar tocar os olhos, não emprestar objetos, nem pegar emprestado.

“Para fechar um diagnóstico da síndrome, é necessário comprovar que a criança teve o contato com o coronavírus, sendo que a maior parte dos casos relatados apresentou exames laboratoriais que indicaram infecção atual ou recente pela Covid-19 ou vínculo epidemiológico com caso confirmado. Por isso, devemos manter os cuidados de prevenção com as crianças, para evitar contrair o vírus e suas consequências”, enfatiza a médica infectologista pediátrica, Anenisia Coelho.

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