Para a Academia Pernambucana de Medicina (APM), as ações são necessárias para evitar a interiorização dos casos da covid-19

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A Academia Pernambucana de Medicina (APM) lançou nesta segunda-feira (25) um manifesto em prol das medidas de isolamento social como forma de combater a disseminação do novo coronavírus (covid-19) no Estado. Para a instituição, é necessário endurecer as ações, para evitar principalmente a interiorização dos casos da covid.
Segundo o neurocirurgião Hildo Azevedo, presidente da academia, o isolamento é hoje o meio mais efetivo de barrar o avanço da doença. “É um remédio amargo, mas o distanciamento é o que temos de mais efetivo para bloquear a epidemia e preservar, sobretudo, os mais vulneráveis. É uma proteção para salvar vidas e diminuir a transmissão comunitária. Não existe hoje nenhuma droga que possa prevenir a doença e as vacinas não chegarão ao Brasil antes do próximo ano. Quando chegarem, certamente terão um custo alto, que talvez o serviço de saúde não consiga arcar para oferecer a toda a população”, afirmou.
Para o médico, além de proteger as populações mais vulneráveis, que não podem deixar de trabalhar, o isolamento mais rígido é necessário para evitar que mais casos cheguem ao interior do Estado. “Este vírus é extremamente inteligente e está escrevendo a sua história. O que estamos vivendo são apenas os primeiros capítulos. Precisamos bloquear a migração para o interior, que está razoavelmente preservado”, avaliou.
A capital e outras quatro cidades da Região Metropolitana – Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Camaragibe e São Lourenço da Mata – estão em quarentena mais rígida desde o último dia 16 de maio. As medidas elevaram os índices de isolamento social para cerca de 60%, de acordo com dados da In Loco, que mede o distanciamento através da geolocalização de aparelhos celulares. “Tivemos aparentemente um decréscimo no número de casos nos últimos dias, devido ao que foi implementado, mas não sabemos por quanto tempo, se isso seria duradouro”, opinou o presidente da APM.
Um dia antes de o isolamento entrar em vigor, o Governo de Pernambuco chegou a ventilar a possibilidade de uma retomada gradual da rotina no mês de junho, caso as medidas fossem cumpridas. Sobre essa possibilidade, Hildo Azevedo afirmou que é cedo para julgar. “É um cenário muito dinâmico. O vírus sofre mutações muito maiores do que outros que conhecemos. São decisões que precisarão serem tomadas com base em evidências científicas e a gente só vai poder ter uma ideia melhor no dia 30”, ponderou.
FONTE: JC UOL