Justiça suspende shows de Alok e mais três atrações em cidade do Piauí que decretou calamidade financeira

As apresentações foram anunciadas pela prefeitura da cidade, sete meses após decretar estado de emergência e calamidade financeira.

7 de agosto de 2025

Reprodução

A Justiça do Piauí decidiu, nesta quinta-feira (7), suspender os shows do DJ Alok e outras três atrações nos festejos de Cocal, marcados para a próxima segunda-feira (11). As apresentações foram anunciadas pela prefeitura da cidade, sete meses após decretar estado de emergência e calamidade financeira.

O prefeito de Cocal, Cristiano Britto (Republicanos), informou que recorreu da decisão com a justificativa de que o pagamento de parte das atrações é feito com recursos de emendas destinadas e o restante com recursos estaduais. O gestor reforçou que as atrações não estão canceladas e que o evento está mantido.

Os shows de Alok e dos cantores Natanzinho Lima, Hungria Hip Hop e da banda Anjos de Resgate estão orçados em R$ 1,8 milhão.

Para suspensão, o juiz Anderson Brito da Mata, da Vara Única de Comarca de Cocal, atendeu a um pedido do Ministério Público do Piauí (MPPI), que alegou que os shows podem ultrapassar R$ 3 milhões em gastos públicos.

Na decisão, o juiz citou que a prefeitura do município anunciou estado de emergência e calamidade financeira em 9 de janeiro de 2025. Dois meses depois, em março, publicou um diagnóstico das contas da gestão, elaborado pela Secretaria Municipal de Finanças.

De acordo com o relatório, quase 86% da receita mensal de Cocal é destinada a pagar despesas fixas, como pagamentos de servidores, custeio da limpeza da cidade e outros repasses constitucionais.

Essa situação, segundo a prefeitura, “pode comprometer a prestação de serviços essenciais à população e limitar a capacidade de investimentos em áreas prioritárias, como saúde e educação”.

Contudo, em agosto de 2025, a Justiça apontou que o secretário de Finanças de Cocal afirmou que os serviços essenciais não seriam prejudicados devido à realização dos festejos.

Com a decisão judicial, a Prefeitura de Cocal é obrigada a suspender os pagamentos dos contratos com o artistas. Caso não cumpra a determinação, o prefeito Cristiano Britto deverá pagar multa diária de R$ 3 milhões.

A gestão municipal também está proibida de assinar outro contrato com qualquer artista ou banda para os festejos da cidade, sob pena de nova multa de R$ 3 milhões para o prefeito.

O juiz determinou ainda a retirada dos outdoors com as imagens de Cristiano e a primeira-dama de Cocal, no prazo de 24 horas, e a proibição de novas propagandas pessoais de ambos ligadas a eventos públicos. Se eles descumprirem a decisão, deverão pagar R$ 50 mil por dia.

INFO: G1

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