O vereador pediu aos produtores da região que não contratassem mais "aquela gente lá de cima", em referência a trabalhadores vindos da Bahia.

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O Patriota expulsou nesta quarta-feira (01/03) do partido o vereador da cidade gaúcha de Caxias do Sul Sandro Fantinel, após suas declarações sobre o caso envolvendo mais de 200 trabalhadores, a maioria baianos, resgatados em situação análoga à escravidão em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, em meio à colheita de uvas que seriam utilizadas por famosas vinícolas.
Na terça-feira, na tribuna da Câmara de Vereadores, Fantinel pediu aos produtores da região que não contratassem mais “aquela gente lá de cima”, em referência a trabalhadores vindos da Bahia.
Em uma fala cheia de preconceito, o vereador sugeriu ainda que, em vez de nordestinos, fossem contratados argentinos, que segundo ele seriam mais “limpos, trabalhadores e corretos”.
Fantinel completou dizendo que a única cultura que os baianos têm “é viver na praia tocando tambor”. Segundo ele, o caso de trabalho análogo à escravidão foi “exagerado e midiático”.
Em nota, o Patriota disse que “o discurso está maculado por grave desrespeito a princípios e direitos constitucionalmente assegurados, à dignidade humana, à igualdade, ao decoro, à ordem, ao trabalho, já que se refere de forma vil a seres humanos tristemente encontrados em situação degradante”.
Segundo o Patriota, por essa razão, se torna “inconciliável” a permanência de Fantinel nas fileiras do partido, “que prima pelo respeito às leis, à vida e à equidade”.
Repercussão
Também nesta quarta-feia, as defensorias públicas do Rio Grande do Sul e da Bahia publicaram nota de repúdio conjunta contra as declarações do vereador. No texto, os órgãos consideram que o vereador envergonha a casa legislativa “aos olhos do mundo”.
A nota diz que, “traindo o mandato que exerce em nome do povo em sua pluralidade”, o vereador “valeu-se do púlpito da Câmara da cidade gaúcha para injuriar e difamar justamente os cidadãos a quem deveria bem representar, os quais, em seu conjunto, constituem o povo brasileiro, que é um só, independente de sua origem ou cor”.
Os governadores da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também condenaram as falas do vereador. Rodrigues afirmou que Fantinel estava defendendo o trabalho escravo nas vinícolas gaúchas e foi xenofóbico.