Turismo baiano sente impacto do coronavírus e crise provoca demissões

Só em Porto Seguro prejuízo já chega a R$ 500 milhões

9 de abril de 2020

Foto: reprodução

Na mesma medida em que o número de infectados com o novo coronavírus aumenta, cresce também a quantidade de vítimas da crise provocada pela pandemia. O turismo, um dos principais setores da economia da Bahia, entrou em colapso e tende a sofrer ainda mais durante os festejos de Semana Santa, período em que tradicionalmente recebe turistas de todos os cantos do país.

Em Salvador a ocupação dos hotéis caiu abaixo da metade, em Porto Seguro o prejuízo já é estimado em R$ 500 milhões, e as agências de viagem afirmam que em abril o cenário vai piorar. Férias coletivas, redução de salários e até demissões já estão ocorrendo em todos os cantos do estado, e o horizonte não é nada animador.

As cidades que vivem exclusivamente dessa atividade ou nas quais o turismo tem importância na arrecadação foram as primeiras a sentir os solavancos da economia. Salvador liderar o ranking de destino turístico no estado, mas é seguida por cidades como Porto Seguro, Itacaré, Mata de São João, Ilhéus, além de regiões como Morro de São Paulo, Chapada Diamantina, Linha Verde e Vale do São Francisco. Em 2018, o turismo foi responsável por 3,8% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

O primeiro impacto da crise foram os cancelamentos dos pacotes de viagem, o que deixou muitos hotéis e pousadas com reservas abaixo da metade. Em Salvador, Porto Seguro e Morro de São Paulo, por exemplo, muito deles fecharam. Isso provocou a segunda onda, cortes de salários e demissões, em hotéis, bares, restaurante e em toda a cadeira produtiva. O comércio foi atingido pela terceira onda, com a queda nas vendas.

Em Porto Seguro, foram confirmados até a manhã de sexta-feira (3) dez casos da Covid-19. Oito desses pacientes receberam alta médica e dois ainda estão em acompanhamento. O medo de que a doença se espalhe fez a prefeitura renovar na semana passada o decreto de isolamento por mais 15 dias, mantendo a cidade fechada, mas a realidade é que mesmo que a decisão fosse derrubada não mudaria muita coisa.

Os turistas sumiram. E a cidade que vive 80% do turismo ficou paralisada. Ruas vazias. Praias desertas, hotéis e lojas fechados. Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo de Porto Seguro, Paulo César Magalhães, o prejuízo até agora está calculado em cerca de R$ 500 milhões.

“Nossa cidade não tem mais baixa estação, temos sempre alta ou média temporada. A alta estação começa em dezembro e vai até março, ou até a semana santa, em abril. Então, esses são meses bons e que estão sendo prejudicados pela crise. São 25 mil pessoas que atuam direta ou indiretamente com o turismo e que estão sem saber o que fazer”, afirmou.

Hotéis vazios

Dos 1,8 milhão de turistas que visitam a cidade todos os anos, 800 mil aparecem entre dezembro e março. Na semana passada, a maioria dos hotéis estava fechada e um grupo de 40 turistas argentinos era o único na cidade, isso porque eles ainda não tinham conseguido um voo para voltar para casa. “A situação está muito complicada. Em 63 anos de vida nunca vi nada parecido”, contou o secretário.

A cidade tem cerca de 500 hotéis e pousadas e oferece 50 mil leitos. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria e Hotéis (ABIH) em Porto Seguro, Vinicius Oliveira, os poucos estabelecimentos que ainda estão em funcionamento não tem mais que 20% de ocupação.

“É um momento delicado. É uma crise mundial e a maioria dos donos de hotéis entende que tem que esperar essa crise passar. As pessoas só vão voltar a viajar quando se sentirem seguras. É um momento de incerteza muito grande”, disse.

A situação é parecida com a de Salvador, e está tão ruim que a ABIH-BA considerou o mês de março de 2020 o pior para o turismo na história. A entidade afirmou que no mesmo período do ano passado a taxa de ocupação na capital era de 66% e que este ano foi de 37%. A queda de quase 30% ficou ainda mais evidente na última semana do mês quando apenas 4% dos leitos estavam com hóspedes.

Em Mata de São João a prefeitura determinou o fechamento de todos os hotéis com mais de 50 funcionários, como medida para conter o avanço da contaminação. O município tem a maior concentração de resorts do país. Ao todo são quatro em 28 quilômetros de litoral, sendo dois deles complexos hoteleiros, um com cinco resorts e pousadas e outro com dois resorts. 

Apenas pequenos hotéis e pousadas estão autorizados a funcionar, mesmo assim, deverão manter interditados espaços de atividades como academias, salões de festas e eventos, clubinhos, parques infantis, brinquedotecas, boates, bares fechados, SPA, churrasqueiras, salão de jogos, teatros, e qualquer outro espaço que possibilite aglomeração de pessoas.

O Hotel Via dos Corais, em Praia do Forte, por exemplo, anunciou no dia 23 de março, a suspensão temporária dos serviços de hospedagem como medida preventiva a contaminação e em atendimento às recomendações de órgãos nacionais de saúde.

FONTE: CORREIO

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