Esses animais, com tamanho corporal entre 14 e 15 cm, são todos juvenis e têm sido encontrados em locais rasos, em currais de pesca, marambaias, e recifes naturais.

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O Observatório Costeiro e Marinho do Ceará (OCMCeará), no âmbito do programa Cientista Chefe Meio Ambiente (Funcap/Sema/Semace) promoveu, na tarde de sexta-feira, dia 6 de maio, a 2ª reunião extraordinária do OCMCeará. O encontro virtual contou com a presença de mais de 60 participantes, teve como finalidade discutir a presença do peixe-leão em águas cearenses e repassar cuidados e medidas preventivas a serem tomadas a fim de evitar acidentes, além de esclarecer outras dúvidas possíveis.
“Também foi discutida a importância de repassar informações às secretarias municipais de Saúde, Meio Ambiente, Turismo e Pesca, sobre os impactos e ameaças que a espécie representa para o litoral cearense”, disse o titular da Secretaria do Meio Ambiente, Artur Bruno.
A reunião foi conduzida pelo Prof. Fábio de Oliveira Matos, coordenador do Observatório Costeiro e Marinho do Ceará. O expressivo número de registros de peixe leão em menos de 60 dias, em um trecho do litoral cearense de mais de 160 km, preocupa a comunidade científica. O pesquisador Tommaso Giarrizzo iniciou as discussões explicando sobre o primeiro registo do peixe no litoral cearense, em 12 de março de 2022. Ele disse que já foram registrados mais de 40 animais entre Bitupitá e Itarema.
Esses animais, com tamanho corporal entre 14 e 15 cm, são todos juvenis e têm sido encontrados em locais rasos, em currais de pesca, marambaias, e recifes naturais. “Nenhuma ocorrência desta espécie invasora foi, até então, comprovada nas praias turísticas do litoral do Estado”, esclareceu.
Em seguida, foi passada a palavra para o Prof. Vidal Haddad Jr., da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista e Consultor do Ministério da Saúde para o Programa de Animais Peçonhentos (aquáticos). Ele, que estuda o assunto há 30 anos, parabenizou o Governo do Ceará, pela rápida mobilização em tratar do assunto por meio do OCMCeará. Relatou a invasão do peixe-leão nos EUA e Caribe e explicou que o veneno do peixe não é letal e, tampouco, pode causar paradas cardíacas. “O veneno é cardiotóxico e citotóxico além de conter acetilcolina e neurotoxinas que afetam a transmissão neuromuscular. O contato com o veneno do peixe causa dor intensa, o que leva a náuseas, cefaleia, além de causar eritema e inchaço no local”, explicou.