Primeiros resultados de vacina contra a aids são ‘promissores’, dizem cientistas

A vacina foi considerada segura após ser administrada em macacos, com uma redução para 79% do risco de infecção devido à exposição.

11 de dezembro de 2021

Reprodução

Uma vacina contra a aids com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) mostrou seus primeiros resultados promissores em animais, anunciaram os pesquisadores na última quinta-feira (9).

A vacina foi considerada segura após ser administrada em macacos, com uma redução para 79% do risco de infecção devido à exposição. No entanto, o imunizante requer melhorias antes de ser testado em humanos.

“Apesar de quase quatro décadas de esforços da comunidade científica mundial, uma vacina eficaz para prevenir o HIV continua sendo um objetivo inatingível”, disse o imunologista Anthony Fauci, coautor do estudo e consultor da Casa Branca para a crise sanitária.

“Esta vacina experimental de RNA mensageiro combina várias características que poderiam superar as falhas de outras vacinas experimentais contra o HIV e representa uma aproximação promissora”, acrescentou o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAD), em nota. O estudo foi publicado nesta quinta-feira na prestigiada revista Nature.

RESULTADO DOS TESTES

Cientistas desse instituto trabalharam em conjunto com pesquisadores da Moderna, empresa americana responsável por uma das vacinas mais utilizadas contra a Covid-19.

A vacina foi testada primeiro em ratos e depois em macacos, que receberam várias doses de reforço ao longo de um ano. Apesar das altas doses de mRNA, o produto foi bem tolerado, causando efeitos colaterais moderados, como perda temporária de apetite.

Na semana 58, todos os macacos desenvolveram níveis detectáveis de anticorpos. A partir da semana 60, os animais foram expostos semanalmente ao vírus, por meio da mucosa retal.

Como os macacos não são vulneráveis ao HIV-1, que infecta humanos, os pesquisadores usaram outro vírus semelhante, o HIV símio (SHIV).

Após 13 semanas, apenas dois dos sete primatas imunizados não estavam infectados. Enquanto os outros não vacinados desenvolveram a doença após cerca de três semanas, os imunizados demoraram em média oito semanas.

“Este nível de redução de risco pode ter um impacto significativo na transmissão viral”, enfatizou o estudo.

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