Principal arma na luta contra a Covid-19 é a vacinação igualitária em todos os países

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Mesmo com armas importantes para conter a propagação do novo coronavírus, o mundo ainda tem dificuldades de colocar em prática as soluções mais simples. É o que apontaram alguns especialistas ouvidos pelo CNN.
A questão principal é a ausência de um plano global, segundo a diretora assistente de programas do Duke Global Health Institute, Andrea Taylor.
“Não somos bons em lidar com crises globais – não temos realmente a infraestrutura, a liderança ou a responsabilidade (necessárias)”, disse a especialista.
Para Paul Hunter, professor de medicina da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, a grande maioria dos especialistas em doenças infecciosas pensa que o SARS-Cov-2 veio para ficar.
“Os netos dos nossos netos ainda estarão pegando (o vírus)”, disse ele. Mas “a doença, se tornará parte de nossa história à medida que a infecção se transforma em apenas mais uma causa do resfriado comum”.
Há, entretanto, uma questão muito mais pertinente: quanto tempo levará para chegarmos lá?
Essa resposta não depende da sorte – está, pelo menos em grande parte, nas mãos das pessoas.
As pandemias desaparecem como um resultado de esforços humanos, como desenvolvimento de vacinas, rastreamento de contatos, análise genômica, medidas de contenção e cooperação internacional.
Em resumo, o mundo tem um kit de ferramentas para acabar com a pandemia o mais rapidamente possível, dizem os especialistas.
Alguns países se saíram melhor no enfrentamento à Covid-19 do que outros. Mas, para acelerar o fim disso, inúmeros especialistas – incluindo Taylor, da Duke Global Health Institute – estão pedindo por uma nova abordagem global, especialmente quando se trata de vacinas, tratamentos e compartilhamento de informações.
Esse esforço é a melhor maneira de acabar com a pandemia rapidamente, dizem eles – e, a menos que isso aconteça, as pessoas em todos os cantos do mundo ainda poderão estar vivendo sob a nuvem de Covid em 2022, e depois disso.
“Sabíamos com antecedência o que aconteceria se adotássemos essa abordagem nacionalista, mesmo assim fizemos”, disse Taylor. “E agora estamos vivendo com as consequências disso”.
A principal ferramenta do mundo
Se o mundo tem um arsenal para ajudar a acabar com a pandemia, a arma mais importante é a mais óbvia, segundo Roberto Burioni, professor de microbiologia e virologia na Universidade San Raffaele em Milão. “A primeira ferramenta que temos é a vacina”.
O desenvolvimento de diversas vacinas, todas altamente eficientes para evitar os casos mais graves e diminuir o nível de transmissão, foi inédito. O recorde anterior para se lançar uma vacina no mercado era de 4 anos, mas a pandemia de Covid-19 superou as expectativas e redefiniu os mais alto padrões do mercado.
É fácil ver o quão crucial as vacinas são para se chegar ao fim da Covid-19. “Conforme mais pessoas são infectadas, vacinadas e reinfectadas, a gravidade da doença gradualmente diminui por causa da imunidade acumulada – essa é a teoria”, diz Hunter.
Ter a vacina, porém, não é suficiente; ela precisa ser administrada na maior quantidade de pessoas possível, e na quantidade necessária.
Mesmo nos países desenvolvidos onde a disponibilidade de doses não é um problema, a diminuição gradual da imunidade, a transmissibilidade de novas variantes e os grupos de céticos deixaram claro que, para prevenir ondas de infecção, são necessários altíssimos níveis de cobertura.
“O que nós devemos atingir é imunização generalizada”, diz Burioni. “Um cenário possível é que, se nós formos capazes de vacinar a maior parte da população, este vírus continuará circulando, mas não irá causar tanto dano”.
Assim como seus esforços contínuos para encorajar pessoas não-vacinadas a tomar sua primeira dose, os países ricos têm agora duas novas estratégias de inoculação: garantir com que crianças em nível escolar sejam vacinadas, e administrar doses de reforço – quantas forem necessárias para manter a proteção em um nível elevado.
“A vacinação de crianças pode ter um impacto enorme para o futuro”, diz Burioni.
As campanhas de vacinação em níveis escolares estão sendo aceleradas em boa parte do mundo, e nos EUA, o Food and Drug Administration (FDA) recentemente aprovou o uso da vacina da Pfizer em crianças entre 5 e 11 anos.
E o Reino Unido anunciou na quinta-feira um acordo para a compra de 114 milhões de doses extras da Pfizer para seus 67 milhões de habitantes para aplicações ao longo de 2022 e 2023.
É um caminho que várias nações desenvolvidas devem trilhar conforme se preparam para um futuro onde as vacinas serão administradas rotineiramente.
“Nós não sabemos quantas doses de reforço vamos precisar, mas isso é um problema de ordens logística e econômica”, acrescentou Burioni.
Esse é o caso, ao menos, nas regiões das nações desenvolvidas.
Mas o mundo tem uma ampla evidência que a Covid-19 vai continuar sendo uma ameaça em outros locais até que esteja controlada em todos os cantos – e especialistas alertam que, para atingir este objetivo, uma ação radical é necessária.
Info: CNN