Queiroga diz que é ‘absolutamente contrário’ à obrigatoriedade do uso de máscara contra Covid

Em visita às obras em Teresina, Queiroga disse que a exigência fere a liberdade das pessoas. A posição do ministro contraria o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, que divulgou nota defendendo a manutenção da obrigatoriedade do uso de máscara.

8 de outubro de 2021

Foto: reprodução

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta sexta-feira (8) que é “absolutamente contrário” a leis que obrigam o uso da máscara e da exigência do “passaporte” de vacinação. A declaração foi feita em entrevista à imprensa em visita às obras da Nova Maternidade de Teresina, no Piauí. Depois, em visita ao Hospital Universitário da UFPI, ele discursou sem máscara.

“Sou absolutamente contrário [a leis que obrigam o uso de máscara e passaporte de vacinação]. O governo federal defende primeiro dignidade da pessoa humana, a vida, a liberdade. Eu acho que uma lei para obrigar qualquer coisa é um absurdo, porque não funciona. Temos que fazer as pessoas aderirem às recomendações sanitárias”.

A posição do ministro contraria o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que divulgou uma nota também nesta sexta-feira defendendo a manutenção da obrigatoriedade do uso de máscaras no Brasil.

No documento, o órgão ressalta que o afrouxamento de medidas de controle está diretamente relacionado ao aumento do número de casos de coronavírus, como ocorreu em outros países.

Especialistas alertam que a pandemia não acabou e que a situação não está tão controlada no Brasil.

“Por mais que o percentual da população brasileira vacinada seja alto, os números que apresentavam uma queda pararam de cair e estão em fase de estabilização”, afirmou Pedro Hallal, epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas ao g1.

Durante a solenidade de entrega de equipamentos para o Hospital Universitário da UFPI, o ministro Marcelo Queiroga foi o único a discursar sem usar máscara. Ele esteve com o equipamento durante todo o tempo, e retirou para falar.

‘Divisão da sociedade’
Queiroga afirmou ainda que “ficam criando cortina de fumaça” e que a obrigatoriedade da máscara e do passaporte servem para “dividir a sociedade brasileira”.

“Precisamos de união contra o inimigo, o vírus. Falam em passaporte disso, passaporte daquilo… Meus amigos, a sociedade em breve estará toda vacinada. Todos terão passaporte”, declarou.
Ele disse ainda que não tem a intenção de desacreditar a eficácia das vacinas e lembrou que, mesmo vacinado com as duas doses, contraiu a Covid.

“Tenho passaporte, mas adquiri Covid. Com passaporte eu poderia transmitir a Covid. Essas medidas não têm essa efetividade que se busca. Servem mais pra dividir a sociedade do que para unir. Temos que unir a população em torno da campanha de imunização”, disse.

Especialistas questionam

Rosânia Maria de Araújo, médica infectologista, avaliou que no Brasil a utilização de máscaras não era comum antes da pandemia, mas que em países orientais, muitos já faziam o uso rotineiramente.

Para ela, diversos pontos ainda fazem com que o uso do equipamento de proteção seja fundamental no país.

“As leis variam conforme cada município, o Brasil é muito diverso, então as normativas podem ser flexibilizadas. Mas no momento em que estamos, num país onde ainda há pessoas morrendo com Covid, internadas em UTI, onde é importante ajudar no controle da disseminação de uma nova variante, temos que manter a cautela, ainda é necessário o uso de máscaras”, declarou.

O professor e médico infectologista Carlos Henrique Nery disse não entender o porquê das atitudes contra o uso de máscara. Segundo o médico, o coronavírus continua a ser transmitido e, por isso, não é o momento de acabar com a obrigatoriedade do uso da máscara.

“Máscara é fundamental, altamente eficaz e nem sei qual seria o interesse de se relaxar o uso delas, se não incomoda a ninguém, se é usada apenas em ambientes fechados ou de riscos. O que tem demais, se é tão eficaz?”, questionou o médico.

Info: G1

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