O ex-funcionário da família também declara que a mansão onde Ana Cristina mora atualmente com o filho, Jair Renan, no Lago Sul, em Brasília, foi comprada por ela e registrada em nome de laranjas.

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Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, funcionário da família Bolsonaro durante 14 anos, afirma nesta entrevista que Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente, comandou o esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro antes de o ex-policial Fabrício Queiroz ser contratado para a função.
Segundo Marcelo, o esquema era replicado por Ana Cristina no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. O ex-funcionário da família também declara que a mansão onde Ana Cristina mora atualmente com o filho, Jair Renan, no Lago Sul, em Brasília, foi comprada por ela e registrada em nome de laranjas. A propriedade tem 1.200 m² de área total e 395 m² de área construída, piscina de 50 m², aquecimento solar e quatro suítes.
A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que o parlamentar desconhece as afirmações de Marcelo Luiz Nogueira dos Santos. Também disse não saber de supostas irregularidades que possam ter sido praticadas por ex-servidores da Alerj ou possíveis acertos financeiros que, eventualmente, tenham sido firmados entre esses profissionais. A nota ainda afirmou que Flávio sempre seguiu as regras da Assembleia Legislativa e que tem sido vítima de uma campanha de difamação.
Carlos e Jair Renan Bolsonaro foram procurados, mas não responderam.
Como começou sua relação com a família Bolsonaro?
Eu namorava o cabeleireiro dela [Ana Cristina] no Rio. Eu trabalhava numa confecção há sete anos. Fiquei desempregado. Na época, tinha seis meses de auxílio-desemprego para receber. Conversando com ele, falei: “Poxa, Cláudio, estou acostumado a trabalhar. Não consigo ficar em casa”. Sempre trabalhei, desde novo, e não conseguia ficar em casa. Ele disse: “Marcelo, está em época de campanha, tem uma cliente minha que é esposa de um político aí. Quando ela for ao salão, vou perguntar a ela, porque sempre pegam gente para trabalhar nessa época, e não tem vínculo, vai receber seu dinheiro e ainda receber auxílio”. Achei uma boa. Ana Cristina foi ao salão, Cláudio falou com ela, que me mandou ir lá no gabinete do Flávio em Bento Ribeiro. Foi quando a conheci e comecei a trabalhar na campanha. Ela gostou de mim, o Bolsonaro e os garotos gostaram.
Em que ano foi isso?
2002. Foi na primeira campanha do Flávio. Gostaram de mim e fiquei. Foi quando o Flávio foi eleito e tinha de lotar o gabinete. Foi quando ela me procurou e me convidou a trabalhar sugerindo essa questão da rachadinha.
Ela propôs como?
Que eu teria um contracheque no valor tal, mas teria que passar para ela o valor tal, que nem lembro na época quanto era. Minha situação era de uma pessoa desempregada, ganhava pouco na confecção. Eu não iria dispensar. Ia ter conta em banco, todos os meus direitos.
Ela ficava com 80%?
Ficava. E eu trabalhava, hein? Das pessoas que não trabalhavam, que eram só laranjas, ela ficava com praticamente tudo, só dava uma mixaria para usar o nome e a conta da pessoa. Eu ainda ganhava mais ou menos, porque trabalhava. Para o pessoal de Resende, ela só dava um “cala-boca” para usar o nome e a conta, porque eles não trabalhavam. Eu trabalhava, então ganhava um pouco a mais. Não era igual para todo mundo. Cada caso era diferente. Mas vamos colocar nessa faixa, de uns 80%.
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