“Os tribunais precisam parar de fazer política e fazer cumprir a lei”, diz Ciro Gomes

Ciro revelou que errou ao acreditar que alguns núcleos do governo Bolsonaro, como o militar e o econômico, teriam uma racionalidade com que seria possível dialogar.

11 de agosto de 2021

Reprodução

O pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, afirmou no programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo, que  o presidente Jair Bolsonaro  está usando a campanha do voto impresso para desviar a atenção do cenário atual do país, com mais de 14% da força de trabalho no desemprego, 40 milhões de trabalhadores na informalidade,  salário mínimo com o menor poder de compra dos últimos 16 anos e crescente aumento da inflação.

“Nós tínhamos que estar forçando o debate para aqueles assuntos que de fato interessam ao povo e não deixar Bolsonaro excitar a minoria de fanáticos que o seguem cegamente como ele vem fazendo”, ao mesmo tempo em que os tribunais brasileiros “precisam parar de fazer política e cumprir a lei”. Ciro confirmou que vai tentar chegar à presidência da República ano que vem e é o primeiro de uma série de entrevistas do jornalista com personalidaes envolvidas com as eleições presidenciais do ano que vem.

Sobre os desdobramentos da crise política causada pelo ao enfrentamento de Bolsonaro ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  Ciro disse:

“Em vez de os militares moderarem Bolsonaro, ele subornou essa cúpula militar que está perigosamente sendo transformada em um partido político miliciano. Esse problema é o que temos que enfrentar agora!   Estou fazendo uma súplica ao poder político, nós precisamos carregar na pressão e dizer ao seu Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e aos senhores senadores, colégio de líderes, e ao seu Arthur Lira e ao seu colégio de líderes, à mesa, ao parlamento, que eles estão prevaricando. Que eles tem uma responsabilidade indeclinável de botar ordem nesse caos institucional que o Bolsonaro está buscando como caldo de cultura para o delírio golpista que ele tem”.

Bial e Ciro falaram sobre vários assuntos, inclusive bastidores das eleições de 2018 e declarações de Ciro logo após a vitória de Bolsonaro. Ciro revelou que errou ao acreditar que alguns núcleos do governo Bolsonaro, como o militar e o econômico, teriam uma racionalidade com que seria possível dialogar e frisou:  “Cara, eu mordi a língua”.

“Paulo Guedes virou um patrimonialista sem precedentes e em vez dos militares moderarem o Bolsonaro,  Bolsonaro subornou a cúpula militar” e citou nominalmente como integrantes dessa corrente os generais Braga Neto, ministro da Defesa; e Augusto Heleno, do GSI.

“Ao invés de ser moderado por eles, o Bolsonaro subornou e corrompeu uma parte da cúpula dos militares e das PMs. E no delírio dele é com isso que ele vai enfrentar a democracia”.

Destacou  que o Brasil  “ tem hoje a maior quantidade de brasileiros no trabalho precário, a inflação voltou, a política está praticamente desmoralizada e não faltam problemas para que a gente sinta indignação com o que está acontecendo”. Isto explica, acrescentou Ciro, o uso frequente de palavras duras que faz ao se referir à crise: “Tem hora que a indignação não permite o uso de palavras amenas”.

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