Na retomada da CPI, Rodrigues diz: ‘Não há dúvidas que Bolsonaro prevaricou, mas sim por quê?’

Randolfe diz que essa forma "didática" de fazer as investigações, é a forma mais produtiva de "sistematizar as informações e avançar para o relatório final".

3 de agosto de 2021

Reprodução

A CPI da Covid volta à ativa nessa segunda-feira (2). Em entrevista, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, contou quais serão os próximos passos e indica que, na leitura da CPI, houve de fato crime de prevaricação por parte do chefe do Executivo.

Após duas semanas de recesso, a CPI da Covid retoma os trabalhos nesta segunda-feira (2), com uma série de casos a serem analisados e o desafio de comprovar as acusações que surgiram durante a sua primeira etapa.

Em entrevista ao jornal O Globo, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o principal foco a ser discutido nessa segunda tempo será a “investigação sobre corrupção“.

“[…] A nossa ideia é organizar por tema cada uma das semanas. A primeira semana é sobre o papel das intermediárias que atuaram no Ministério da Saúde, com o coronel Hamilton Gomes, Marcelo Blanco e Airton Cascavel. Na segunda semana, a nossa ideia é avançar para investigarmos a Precisa [Medicamentos] e a Covaxin. E assim por diante”, afirmou o senador.

Randolfe diz que essa forma “didática” de fazer as investigações, é a forma mais produtiva de “sistematizar as informações e avançar para o relatório final”.

Ainda segundo o senador, não restam dúvidas de que houve crime de prevaricação por parte do presidente, Jair Bolsonaro, envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin, e que hoje a pergunta que a CPI se faz é por que ele prevaricou.

“Para nós da CPI, não há dúvidas sobre o crime de prevaricação no caso da Covaxin. […] O que nós estamos investigando é por que o presidente prevaricou. O senhor presidente, tendo recebido a notícia de um esquema de corrupção em curso no âmbito do Ministério da Saúde, não tomou providências. E também há outros crimes. Nós estamos procurando os liames entre os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e os demais.”Indagado se, no final dos trabalhos da comissão, o presidente será responsabilizado, Randolfe afirma que quer “deixar essa conclusão para o relatório final”, mas que até agora “todos os elementos e indícios apontam para a responsabilidade, não para uma responsabilidade, mas para responsabilidades do presidente da República”.

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