MP de Alagoas investiga conduta irregular de delegado e PMs por suposta autopromoção e lucro na internet

Eles estariam fazendo o uso do trabalho nas forças de segurança para autopromoção, e ao postagem em canais na internet, ainda acabam obtendo lucro financeiro.

15 de julho de 2021

Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) abriu procedimento de inquérito civil para investigar a suposta conduta irregular de um delegado da Polícia Civil e de quatro policiais militares, sendo oficiais ou praças, que publicam conteúdos nas redes sociais que descumprem o regimento das instituições, e mostram cenas de abordagens truculentas. Eles estariam fazendo o uso do trabalho nas forças de segurança para autopromoção, e ao postagem em canais na internet, ainda acabam obtendo lucro financeiro.

O promotor de Justiça Magno Alexandre Moura, da Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial, disse na manhã desta quinta-feira, 15, que os vídeos, já em posse do órgão para servir como provas, mostram uso excessivo de força quando não há necessidade nas abordagens.

“Nós estamos investigando o abuso de autoridade, são abordagens truculentas, há o uso excessivo de força. Não é proibido que o agente faça publicações em seu perfil nas redes sociais. O problema é a forma como esse conteúdo é divulgado. Há normas dentro das próprias instituições, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil. Então há um descumprimento”, afirmou Moura.

“O Comando Geral da Polícia Militar de Alagoas tem uma portaria em que determina a 5ª Seção, a assessoria de comunicação da PM, como o único canal para divulgação do trabalho da Segurança. Nós vimos também que o uso das algemas, quando indevido, fere a Súmula Vinculante 11, do Supremo Tribunal Federal, que determina o uso delas se houver resistência, quando a integridade física dos envolvidos é coloca em risco, e quando o suspeito tenta fugir”, acrescentou o promotor.

Ainda segundo Magno Alexandre Moura, os materiais divulgados pelos agentes incentivam a prática de violência. “Os conteúdos podem estimular a violência. Se o suspeito está preso, não há necessidade de agredi-lo. Há um excesso nessas postagens, há um tratamento degradante. Não se espera da polícia a ação com rigor, com violência, quando não é necessário. A polícia tem que agir pra defender interesses, direitos, e para proteger”.

O promotor reforçou que o inquérito vai ter um prazo de um ano para ser concluído, porém pode ser abreviado pelas provas que o MPAL já adquiriu. “Temos um ano para fechar, mas com as provas que temos, já colhidas da internet, esperamos concluir a investigação o mais rápido possível”, finalizou.

Segundo o site Finanças, Direitos e Renda (FDR), os criadores de conteúdo para Youtube recebem o pagamento em dólares baseado na regra de CPM (custo por mil). A cada 1 mil visualizações, o dono do canal da plataforma pode ganhar valores entre 0,25 e 4,50 dólares. No Brasil algo entre 1 e 19 reais. O levantamento foi realizado em maio deste ano.

Magno Alexandre Moura explicou que um dos policiais investigados teve mais de 1 milhão de visualizações no Youtube. “Ainda não temos o quantitativo de dinheiro arrecadado pelos policiais, mas um deles tem mais de 1 milhão de visualização, e os outros estão se aproximando disso, na faixa de 800 mil e 900 mil”, destacou.

O promotor disse ainda que os policiais estão sendo monitorados há cerca de um ano. “Desde 2020 estamos acompanhando o comportamento desses agentes de segurança e hoje temos cinco que estariam praticando esta conduta irregular”, concluiu.

Info: TNH1

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