Flávio Dino vê luz amarela no Ceará e diz que Bolsonaro alimenta motim

Para Dino, há tentativa de fomentar movimentos semelhantes ao dos policiais do Ceará em outros Estados. O governador maranhense ironizou o fato de Bolsonaro se esforçar para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

3 de março de 2020

Foto: Denio Simoes/Valor

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que o presidente da República, Jair Bolsonaro, estimula ataques às instituições democráticas com o objetivo de governar sozinho, em nome dos interesses dele mesmo e da família Bolsonaro.

“O presidente da República estimula ataques contra as instituições da democracia, não por seus defeitos, mas pelas suas virtudes”, afirmou Dino em palestra a lideranças sindicais na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no centro da capital paulista.

Dino conclamou os sindicalistas a integrarem uma frente ampla pela democracia. Para o governador, essa frente deve unir partidos e políticos independentemente de alianças eleitorais. Ele convidou o público para um ato político em 30 de março em São Luís, para consolidação dessa frente. “A democracia política plena no Brasil hoje vive uma ameaça. Temos uma tentativa de união de corpos armados militares e milicianos, sem controle”, disse Dino.

“O Ceará é uma luz amarela [de alerta] poderosa, a mostrar o que acontece quando um presidente da República alimenta um motim contra a constitucionalidade”, afirmou o governador em relação à paralisação de policiais militares no Ceará.

Para Dino, há tentativa de fomentar movimentos semelhantes ao dos policiais do Ceará em outros Estados. O governador maranhense ironizou o fato de Bolsonaro se esforçar para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Não sei pra que ele quer entrar no grupo dos ricos. Deve ser pra passar vergonha.” Dino disse ainda que não responsabilizaria o coronavírus pelo fraco desempenho econômico do Brasil. “Acho que é mais o Bolsovírus.” O governador disse ainda ter ficado orgulhoso ao ser chamado de “o pior dos paraíbas” por Bolsonaro, no ano passado. “Mandei pendurar a frase na parede.”

Dino disse que, ainda que considere o governo Bolsonaro uma ameaça à democracia, não defende o impeachment do presidente. “Me parece que não há condições de debatermos o impeachment ou algo desse tipo nesse momento”, disse ao Valor, ao ser questionado sobre o tema. “Não estou entre aqueles que defendem o impeachment”, disse Dino à reportagem após o ato. “Mais importante é a defesa do regime democrático, das regras do jogo, do funcionamento das instituições e fazer com que o Brasil avance”, disse o governador.

Flávio Dino vai liderar em 30 de março um encontro de lideranças de esquerda em São Luís (MA) pela defesa da democracia. Dirigentes sindicais presentes ao ato de hoje em São Paulo afirmaram que vão participar do evento. “Você precisa criar espaços de diálogo, para diminuir tensões e tornar possível a defesa da democracia contra os retrocessos de Bolsonaro”, explicou Dino. Para o governador, isso vai criar um ambiente “mais amistoso” nas eleições presidenciais de 2022.

Questionado sobre a presença do PT no evento do dia 30, Dino disse esperar adesão das lideranças do partido para que “todos sentem à mesma mesa e discutam pontos em comum”.

Info: VALOR

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