No sábado, Queiroga e Tedros se reuniram, marcando um novo capítulo na relação entre o Brasil e a OMS e uma reviravolta na maneira de o Palácio do Planalto lidar com o organismo internacional.

Foto: Reprodução
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que chegou a um entendimento com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para permitir que técnicos da agência mundial possam trabalhar para ajudar o Brasil a lidar com a crise sanitária. O encontro ainda foi marcado por um relato por parte do chefe da pasta da Saúde do governo que foi descrito pela OMS como “realmente terrível”.
No sábado, Queiroga e Tedros se reuniram, marcando um novo capítulo na relação entre o Brasil e a OMS e uma reviravolta na maneira de o Palácio do Planalto lidar com o organismo internacional. Por meses, Brasília esnobou a entidade, enquanto o presidente Jair Bolsonaro fez questão de criticar as recomendações da entidade.
Já o ex-chanceler Ernesto Araújo atuou para minar qualquer ação que pudesse dar maiores poderes para a OMS. Agora, a pasta da Saúde faz um gesto de aproximação e pede maior acesso às vacinas. No mesmo sentido, Queiroga ainda se reuniu com a embaixada da China, na segunda-feira, na esperança de garantir o abastecimento de insumos.
No final de semana, o UOL revelou os bastidores do encontro e como a OMS pediu que o Brasil reavaliasse sua postura no que se refere às patentes de vacinas, apoiando o projeto de países emergentes para suspender a propriedade intelectual para produtos que possam lidar com a pandemia. O Itamaraty havia chocado os demais países em desenvolvimento ao rejeitar a suspensão de patentes.
Nesta terça-feira, Tedros confirmou a existência de um plano de seguimento na relação com o Brasil. Numa coletiva de imprensa, ele explicou que “discutiu medidas” que serão tomadas entre o Brasil e a OMS. “Discutimos como a situação é séria no Brasil e ele (Queiroga) começou descrevendo a situação que é realmente terrível, e o que ele gostaria de fazer”, disse Tedros. “Concordamos no caminho a seguir”, explicou.
Segundo ele, a OMS está comprometida em ajudar “de todas as maneiras possíveis”. De acordo com Tedros, esse foi apenas o primeiro encontro e ficou estabelecido que reuniões de seguimento serão realizadas, com o envolvimento de técnicos. “Teremos novas reuniões e especialmente sobre detalhes das ações que devem ser tomadas. Haverá um engajamento de especialistas de alto escalão”, explicou o chefe da OMS.
A postura revela uma mudança profunda no tom entre a entidade e o governo brasileiro, que passou 2020 acusando a instituição. O entendimento prevê reuniões periódicas da equipe técnica da OMS com o ministério da Saúde.
Fontes dentro da organização revelaram que, nos últimos meses, técnicos estiveram presentes no país avaliando a crise. Mas optaram por não fazer anúncios para não abrir uma crise com o governo de Bolsonaro. Em certas ocasiões, a cooperação foi com os governos estaduais. Agora, a relação promete ocorrer de forma mais oficial. A coluna apurou que, entre as medidas consideradas, está também o envio de técnicos para permitir que a produção de vacinas no Brasil seja incrementada de maneira mais rápida.
Info: UOL