Além do colapso registrado no sistema de saúde sem vagas disponibilizadas para UTI’s e enfermarias, em uma semana a cidade confirmou novos 336 casos da doença.

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Pouco mais de uma semana após receber o presidente Jair Bolsonaro e toda sua comitiva, a cidade de Tianguá, situado no interior do Ceará, atingiu neste sábado, 06, a marca de 100% de ocupação em toda sua rede de saúde.
Bolsonaro esteve na cidade para participar da ordem de serviço de obras viárias. Na oportunidade, o presidente descumpriu medidas sanitárias de combate à Covid-19, não fazendo o uso da máscara, não respeitando o isolamento social e promovendo aglomeração entre apoiadores.
De acordo com dados divulgados pela Prefeitura de Tianguá, além do colapso registrado no sistema de saúde sem vagas disponibilizadas para UTI’s e enfermarias, em uma semana a cidade confirmou novos 336 casos da doença.
MPF no Ceará sugere crime contra a saúde pública
O Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) encaminhou na última quinta-feira, 4, ao procurador-geral da República, Augusto Aras, documentação que sugere que Jair Bolsonaro praticou crime contra a saúde pública durante a visita.
Segundo o órgão, durante a visita, foram registrados diversos episódios de desrespeito às normas sanitárias e regras de isolamento social impostas pelo Governo do Estado, decretadas para impedir a disseminação do novo coronavírus, em decorrência da explosão do número de casos nas últimas semanas.
“A comitiva presidencial provocou grandes aglomerações de pessoas, muitas delas sem o uso de máscaras de proteção facial e sem que o distanciamento social mínimo recomendado pelas autoridades sanitárias nacionais e estaduais fosse observado”, afirma o documento.
O ofício também lembra que Bolsonaro não utilizou máscaras ou se manteve em distanciamento dos apoiadores e da população que dele se aproximavam, condutas que eram reproduzidas por diversos membros de sua comitiva. Em Tianguá, o presidente teria ordenado a retirada do esquema de segurança que separava a população da área restrita. Em texto, o MPF entende que o episódio gerou “ainda mais aglomeração de pessoas”.
Boletim da pandemia em Tianguá atualizado no dia 06/03:
